quarta-feira, 12 de setembro de 2012

FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA


O preço ideal de venda é aquele que cobre os custos do produto ou serviço, o custo da estrutura da empresa e ainda proporciona o retorno desejado pela empresa.
Num mercado competitivo os preços são formados pela lei da oferta e procura. Então, é indispensável comparar o nível de preço no mercado para seu produto ou serviço e aqueles definidos a partir de seus custos e expectativa de lucro.
Em alguns casos, situações temporárias do mercado permitem que uma empresa pratique seu preço ideal de venda obtendo a lucratividade desejada.
 A metodologia dominante de formação de preços consiste na aplicação de um percentual (taxa de marcação) sobre o custo de produção ou operação. O percentual da taxa de marcação é geralmente aplicado sem um embasamento mais profundo. Pode ser uma imitação do líder setorial, decisão administrativa, tradição etc. Esse procedimento acarreta uma rentabilidade efetiva menor ou maior do que a acreditada.
Quando a rentabilidade efetiva é menor do que a calculada, há perda de eficiência. No caso de rentabilidade efetiva maior, a empresa experimenta, algum tempo depois, uma perda progressiva de mercado. Raramente uma empresa consegue manter lucros excessivos em longo prazo.
O passageiro excesso de rentabilidade de uma empresa normalmente eleva seus custos de produção, pois, em função de uma rentabilidade alta é comum relevar-se a sistemática reavaliação de custos em relação ao mercado. Quando um concorrente, com melhor produtividade ataca o mercado dessa empresa com retorno excessivo, esta pode ter dificuldades para reagir. É provável que produtos e serviços deficitários estejam sendo subsidiados por aqueles com rentabilidade excessiva. Isto dificulta a rápida reação ao concorrente.
Erros na formação de preços
A formação de preços pode ser definida como o processo de apuração do custo econômico do produtor. Define-se custo econômico com sendo a soma de todos os insumos – inclusa aí a mão de obra direta - envolvidos no processo de produção de bens e serviços, incluindo o custo-oportunidade do capital investido. Este último raramente considerado nos cálculos da pequena e média empresa.
O método de formação de preço com base no taxa de marcação sobre o custo difere daquele baseado no conceito de custo econômico. Aquele consiste na apuração do custo de produção ou operação sobre o qual é aplicado a taxa de marcação desejada.
No cálculo do custo de produção ou operação há uma distorção causada tratamento dispensado aos custos indiretos e também pelo uso da depreciação linear, ou, pior ainda, a prática de ignorar o custo com depreciação, fato muito comum nas pequenas e médias empresas.
Em resumo, o método ideal e tecnicamente correto para formar ou, ao menos, para analisar preço é o do retorno sobre o investimento. É óbvio que para que essa análise seja possível a empresa e seus administradores precisam conhecer adequadamente o mercado onde atuam e obter de seus registros econômico-financeiro dados precisos e atualizados para uma a avaliação com base em informações e não apenas intuitivas.
Bons controles e análises são ferramentas ideais para a boa gestão de preços e lucros.
Mãos à obra e bons lucros.
Sivaldo Dal-Ry
Consultor Empresarial
43 9109-5345
Londrina - PR

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Dicas para manter uma boa Gestão Financeira de sua empresa.


Em épocas de instabilidade financeira, como a que estamos enfrentando atualmente, é muito comum as empresas, em especial as pequenas, passarem por dificuldades econômico-financeiras. Seguem alguns cuidados que sempre devem estar em destaque na agenda de seus administradores.
• Elaborar e manter os relatórios gerenciais (controles econômico-financeiros) sempre atualizados;
• Acompanhar periodicamente os indicadores financeiros;
• Manter os estoques em níveis compatíveis com o volume de vendas. Evitar os excessos de compras;
• Fuja sempre que possível de desconto de cheques pré-datados, duplicatas e antecipação de cartões, evitando assim o aumento das despesas financeiras;
• Mantenha um controle permanente das despesas fixas, procurando mantê-las compatíveis com a capacidade da empresa;
• Determine valor e data fixos para pagamento do seu pró-labore, limitando seu valor dentro das possibilidades da empresa;
• Peça orientações ao seu contador sobre o melhor enquadramento tributário da sua empresa, visando reduzir a carga tributária;
• Adote políticas de formação de preços de venda, que mantenham a empresa competitiva, porém sempre pensando na rentabilidade do negócio;
• Sempre que fizer propaganda, análise a relação benefício/custo da mesma para os negócios da empresa;
• Evite os descasamentos de prazos entre os pagamentos e recebimentos;
• Procure adotar critérios seguros e adequados para liberar o crédito nas vendas a prazo, prevenindo, assim, o aumento da inadimplência;
• Não se esqueça de que as três principais áreas de sua empresa são: Compras e Estocagem, Vendas e Marketing e Administração e Finanças.
• Normalmente os problemas financeiros são decorrentes da falta de planejamento, organização, liderança e controle nas atividades empresariais de compras, estocagem e vendas.
         Não esqueça que diante de qualquer problema a  pior  atitude é nada fazer.
         Identifique suas dificuldades, avalie as possíveis causas, trace um plano para enfrentá-las e bons lucros.

Sivaldo Dal-Ry
Consultor Empresarial
Londrina - PR

segunda-feira, 2 de julho de 2012


FLUXO DE CAIXA – SAIBA MAIS
É muito comum ouvirmos dos empresários, dúvidas sobre as finanças da empresa. E finanças, como sabemos, é fundamental para a sustentação de um negócio, tanto para a sua sobrevivência como para sua evolução, competitividade.
Geralmente as dúvidas mais comuns são sobre O QUE FAZER para que a gestão financeira torne-se eficiente e sirva de instrumento básico nas tomadas de decisões.
O Fluxo de Caixa é o controle que auxilia na visualização e compreensão das movimentações financeiras num período preestabelecido. A grande utilidade é prever sobras ou faltas de caixa antes que ocorram, possibilitando ao empresário planejar melhor suas ações.
Na verdade, toda ação realizada por uma empresa resume-se a entrada ou saída de dinheiro! É nessa movimentação de dinheiro que o Fluxo de Caixa mostra sua importância, pois ajuda a perceber, com antecedência, quanto e quando vai faltar ou sobrar recurso.
Os momentos de escassez de crédito, altas taxas de juros, queda do faturamento, entre outros, exigem do empresário uma gestão financeira cada vez mais eficiente. Sendo assim torna-se necessário utilizar controles financeiros que permitam conhecer com mais eficiência os recursos de caixa.
Objetivo do relatório de Fluxo de Caixa.
• Planejar e controlar as entradas e saídas de caixa num período de tempo determinado.
• Verificar se a empresa está trabalhando com aperto ou folga financeira no período avaliado.
• Verificar se os recursos financeiros são suficientes para tocar o negócio em determinado período ou se há necessidade de obtenção de capital de giro.
• Planejar melhores políticas de prazos de pagamentos e recebimentos.
• Avaliar a capacidade de pagamentos antes de assumir compromissos
• Conhecer previamente (planejamento estratégico) os grandes números do negócio e sua real importância no período considerado.
• Avaliar se o recebimento das vendas é suficiente para cobrir os gastos assumidos e previstos no período considerado.
• Avaliar o melhor momento para efetuar as reposições de estoque em função dos prazos de pagamento e da disponibilidade de caixa.
• Avaliar o momento mais favorável para realizar promoções de vendas visando melhorar o caixa do negócio.
Para elaborar e gerenciar o relatório de Fluxo de Caixa
• Seja disciplinado!  Registre todo movimento financeiro ocorrido e a ocorrer em sua empresa, por dia, no período. 
• No início do dia, verifique, analise e registre saldo em dinheiro em caixa e os saldos bancários.
• Todos os valores lançados no Fluxo de Caixa devem ser realistas. Para isso é necessário manter as entradas e saídas sempre atualizadas.
• Ao lançar saídas, lembre-se que praticamente todos os compromissos têm data certa para serem pagas que, não sendo atendidas ocasionam multas e juros de mora.
• Defina, de acordo com a disponibilidade de caixa, qual a data mais oportuna para efetuar retiradas pessoais (pro labore).
• A comparação da coluna do realizado com a coluna do previsto de demonstra o grau de acerto nas previsões.
• Todo negócio sofre influências de temporadas (sazonalidade), tenha muita atenção com o planejamento de suas despesas a fim de evitar insuficiência de caixa.
• Quando o Fluxo de Caixa se apresenta negativo por períodos consecutivos, é sinal que seu negócio possui algum problema que deve ser identificado no menor período de tempo.
Por essa breve abordagem já se percebe a utilidade dessa ferramenta simples e prática pode oferecer ao seu negócio.
Agora, mãos à obra!
Faça seu Fluxo de Caixa e veja no dia-a-dia das finanças da sua empresa o caminho correto para a tomada de decisões.

Sivaldo Dal-Ry
Consultor Empresarial
Londrina PR

domingo, 10 de junho de 2012


GESTÃO FINANCEIRA – PONTOS IMPORTANTES
O pequeno ou médio empresário preocupa-se, com razão, em vender cada vez mais, mas, quase sempre, falta tempo para, também avaliar o seu desempenho.
A velocidade dos fatos e seus reflexos na economia de uma forma geral interferem com menor ou maior intensidade no dia-a-dia das empresas e é indispensável estar atentos e preparados para agir e reagir.
            Vejamos alguns pontos que, se não forem bem cuidados, causarão problemas para as empresas e que podem até comprometer a sua sobrevivência:
Custos
            Podemos classificá-los, de uma forma genérica em Custos Administrativos, ou mais comumente chamados de Custos Fixos e Custos Diretos ou Custos Variáveis. Os Diretos variam de acordo com o volume de vendas. Já os Custos Administrativos referem-se aos custos operacionais, da estrutura da empresa. É neles que, geralmente, encontramos os maiores problemas. Caso não sejam bem geridos e mensurados poderão comprometer a sobrevivência da empresa. É indispensável então o seu acompanhamento constante procurando reduzi-los sem, entretanto prejudicar a operacionalidade da empresa.
Preços
            Outro ponto que pode comprometer os resultados é a formação de preços dos seus produtos ou serviços. Há muitas empresas que, por desconhecerem os componentes de custos ou até mesmo as técnicas adequadas, formam seus preços atribuindo um percentual aleatório sobre os custos de seus produtos acreditando, com esse valor, obter o lucro desejado quando na realidade, em muitos casos, não cobrem sequer seus custos operacionais gerando assim, na realidade, prejuízos em vez do lucro pretendido.
Capital de Giro
            O capital de giro para a empresa é comparado ao sangue para o organismo humano. Se o volume for insuficiente haverá a necessidade de se buscar recursos junto a terceiros, normalmente no mercado financeiro, transferindo, desta forma, boa parte ou até mesmo a totalidade dos seus resultados aos seus financiadores como custo financeiro.
                        Desencontro entre Ciclo operacional e Financeiro
            O ciclo operacional da empresa é composto pelos prazos decorridos entre a compra do produto e o do recebimento da venda efetuada. Já o ciclo de caixa é relativo ao tempo decorrido entre a data do pagamento ao fornecedor e o recebimento da venda. Caso a empresa compre com prazo curto e concede prazos superiores aos concedidos pelos fornecedores para seus clientes pagarem, necessitará mais capital de giro para poder cobrir a falta de recursos. Se a empresa não possuir recursos necessários terá que buscá-los no mercado financeiro transferindo grande parte do seu lucro aos financiadores.
Inadimplência
A falta de uma política de crédito adequada provoca a concessão insegura nas vendas a prazo. Muitos empresários no afã de aumentar as vendas não estabelecem os critérios apropriados, deixando de minimizar os riscos de inadimplência assim como descuidam de obter as garantias necessárias o que poderia evitar a grande maioria dos sinistros de crédito e o consequente prejuízo.
Pro Labore e Retiradas incompatíveis
Há duas formas de se remunerar os sócios de uma empresa. O pró-labore é o salário que o dono recebe por trabalhar no negócio. Já a distribuição de lucros equivale à remuneração do investidor, quer ele trabalhe ou não na organização. Também chamado de dividendos, o recebimento desse valor é a forma de o empreendedor ser compensado por ter seu capital empatado na firma e por ter assumido os riscos do empreendimento. Muitas vezes os empresários exageram no valor do Pro Labore aumentando significativamente o Custo Administrativo da empresa dificultando a formação de preços competitivos e/ou obtenção de resultados positivos. Esquecem que, se prejudicarem a empresa terminam prejudicando-se a si próprios.
            Compras e Giro dos Estoques
A gestão de estoque bem feita é de extrema importância para evitar perda de investimentos pois, errar na compra acarretará um prejuízo maior do que a maioria dos administradores imaginam. Na gestão de estoques existe um ciclo com três planejamentos e errar em qualquer um deles acaba gerando uma cadeia de erros, esse ciclo é formado da seguinte maneira: Planejamento de Estoques, Planejamento de Vendas e Planejamento de Compras.
Estes são apenas alguns pontos onde problemas financeiros ocorrem nas empresas, em especial nas micro e pequenas. É responsabilidade dos gestores obter as informações e meios para melhor administrar os recursos de suas empresas adequando-as para a utilização dos Controles Financeiros e na tomada de decisões adequadas quanto a: compras, vendas, custos, concessão de crédito e todas as demais atividades operacionais.
            Somente com uma gestão adequada e muito controle financeiro é que se poderá alcançar bons resultados e manter a saúde financeira da empresa permitindo seu crescimento permanente.
                                  
SIVALDO DAL-RY
ECONOMISTA – CONSULTOR EMPRESARIAL
43 9109-5345
LONDRINA - PR

sexta-feira, 4 de maio de 2012


Nova poupança
A "nova" poupança, com as mudanças que começam a partir de hoje, trará um rendimento menor caso os juros caiam, mas manterá seu ganho quando comparado com outros tipos de investimentos de renda fixa atrelados aos juros. Assim como acontecia antes da mudança anunciada ontem, a caderneta irá render, em geral, mais que os fundos de renda fixa atrelados à SELIC e os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), mas terá desempenho menor que o Tesouro Direto, justamente o objetivo do Governo com essa mudança.
A partir de hoje, 04 de maio de 2012, a remuneração da poupança para novos depósitos será atrelada à SELIC sempre que a taxa de juros for menor ou igual a 8,5% ao ano. Atualmente, a taxa está em 9%. Como a intenção do Governo é baixar os juros, a poupança começará a ter um retorno menor do que o atual. Assim, todos os novos aplicadores na caderneta ganharão menos do que os antigos. Ao mesmo tempo, os rendimentos das demais aplicações atreladas ao juro básico, como o CBDs, as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) e fundos de renda fixa indexados ao juro básico, também serão reduzidas.
Para quem já tem dinheiro aplicado na poupança, ainda vale a regra antiga, cuja remuneração é independente da SELIC (0,50% ao mês + taxa referencial). Para estes poupadores, vale a pena deixar o dinheiro como está, pois em um cenário de juros abaixo de 8,5%, todas as demais aplicações começam a pagar menos, e ele terá o melhor retorno na comparação com o Tesouro Direto, o CDB e os fundos de renda fixa. Mas atenção para um detalhe. Caso faça novos depósitos na mesma conta, estes novos depósitos, passarão a ter a remuneração pela regra nova e, tudo indica que, cada saque feito nessa conta será primeiro descontado do valor remunerado pela regra anterior.
Já para o investidor que pretende começar a aplicar, a poupança continuará com o mesmo retorno enquanto o juro estiver a 9% ao ano. Quando a SELIC chegar a 8,5%, ou menos, a remuneração vai cair, mas ainda assim a aplicação será mais interessante do que o CDB e os fundos de renda fixa atrelados aos juros. Vai valer a pena procurar outros tipos de investimentos, como títulos do governo atrelados a inflação ou outras modalidades de fundos. Quem tem dinheiro nos fundos de renda fixa atrelados aos juros pode passar para o Tesouro Direto, pois, essa aplicação continuará sendo mais vantajosa para os investidores, justamente o objetivo do governo ao anunciar estas novas regras. Com isso, os juros podem ser baixados e os investidores continuam sendo atraídos pela rentabilidade dos títulos do governo.
            Ainda teremos que avaliar adequadamente os reflexos desta nova regra, mas, é importante avaliar caso a caso embora, em princípio, a poupança, mesmo com as alterações efetuadas, continue sendo a aplicação mais indicada para os pequenos poupadores.
            Lembre-se é preciso poupar para ter uma tranquilidade no futuro. Continue preparando seu futuro.

Sivaldo Dal-Ry
Consultor Empresarial
Londrina - PR

domingo, 22 de abril de 2012

PROJETANDO O FUTURO DA EMPRESA


Em artigos anteriores analisamos como o empresário deve acompanhar o desempenho financeiro da sua empresa através da elaboração de vários demonstrativos e indicadores. Mas, é indispensável projetar a empresa no futuro, os empresários também devem elaborar o que ficou conhecido como projeção de resultados. Isso nada mais é que formular estimativas de quanto espera vender, gastar e, conseqüentemente, ganhar nos próximos meses ou anos. Para elaborar esta projeção deve considerar não apenas o passado da sua empresa, mas também o impacto de possíveis mudanças na economia (aumento ou queda da inflação, dos juros, entrada de novos concorrentes nacionais e internacionais, etc.).
Controles ajudam elaboração de projeções
O desempenho operacional passado da empresa deve ser acompanhado através dos controles de vendas e resultados anteriores que são extremamente importantes para ajudar o empresário na elaboração da projeção de resultado. Ela ajuda a evitar, por exemplo, que os empresários cometam o erro de subestimar os custos associados a um possível aumento nas vendas. Muitas vezes, para conseguir aumentar as vendas torna-se indispensável o investimento em máquinas novas, contratação de novos funcionários etc. Com a projeção pode-se analisar o aumento da margem de contribuição do aumento nas vendas, ou seja, o quanto do aumento do faturamento restou após a dedução dos gastos necessários para garantir esse aumento. Com essa informação poder-se-á decidir se a expansão é, ou não, positiva para a empresa. Em alguns casos, depois de deduzidos os custos adicionais (contratação de funcionários, compra de máquinas, gastos com financiamentos, etc.) incorridos para o aumento de vendas, chega-se à conclusão de que não vale a pena, pois é preciso injetar mais dinheiro na empresa. Assim as projeções também permitem que o empresário consiga planejar quanto irá precisar levantar de empréstimos, ou de recursos próprios.
Cuidados na hora de projetar resultados
                Mas o aspecto mais importante da projeção é que, através da análise dos indicadores obtidos dos resultados projetados, poderá avaliar se ela está muito otimista. Em outras palavras, se ao projetar os resultados da sua empresa, e derivar os respectivos indicadores financeiros, obtiver resultados muito acima daqueles registrados pela sua empresa até então isto pode ser um sinal de que suas projeções foram muito otimistas.
                Abaixo alguns cuidados que devem ser levados em consideração na hora de elaborar suas projeções.
Vendas (em termos de volume)
A projeção deve ser resultado da capacidade de produção e de venda da empresa, mas, principalmente do potencial de mercado. Estime uma taxa de crescimento para o setor como um todo, e, com base nisto, o potencial de mercado e a participação da sua empresa nele. É importante considerar também a sazonalidade das vendas, ou seja, aumentos ou quedas das vendas em determinados períodos do ano. Um exemplo de produto em que as vendas são sazonais é o sorvete, cujas vendas no verão tendem a ser muito superiores às vendas em outras épocas do ano. Não se esqueça de levar em conta as projeções de crescimento da economia, lembrando que, na hora de projetar o volume de vendas, o melhor é adotar uma postura conservadora. Portanto, nada de projetar ganhos excessivos de participação de mercado por parte da sua empresa, especialmente se no seu planejamento financeiro esses ganhos não forem compensados por investimentos na área de produção (compra de novas máquinas, contratação de pessoal, etc.) e/ou vendas (investimentos em marketing). Excesso de otimismo quanto ao potencial de crescimento do setor também deve ser evitado. Por exemplo, se você acredita que o setor em que a sua empresa atua deve crescer muito acima do projetado para a economia, lembre-se que, nesse caso, é provável que o bom desempenho do setor atraia novos concorrentes. Esses, ao entrarem no mercado, normalmente forçam uma redução nas margens da empresa, seja através da redução do preço de venda, ou aumento das despesas com marketing e vendas.
Custos fixos e variáveis
                A projeção deve levar em conta tanto os custos fixos quanto os variáveis da empresa. Um erro comum ao se elaborar uma projeção financeira, é o de considerar apenas o aumento dos custos variáveis, mas não o de custos fixos. É bem verdade que, na teoria, os custos fixos não se alteram com o aumento da produção, mas existem exceções. Esse é o caso, por exemplo, do aluguel, que apesar de ser um custo fixo, pode aumentar se, para expandir a produção, você contratar mais pessoas, e for forçado a alugar ou construir um imóvel maior. Tente identificar todos os custos adicionais que irá ter caso as vendas aumentem. Outro erro é considerar que o próprio aumento das receitas irá conseguir cobrir esses custos adicionais, mas isto não é necessariamente verdade, especialmente quando a expansão das vendas implica na necessidade de se fazer investimentos fixos adicionais, em máquinas, equipamentos etc. Nesse caso, é preciso levantar empréstimos e o custo desse financiamento deve estar incluído na projeção de vendas. Feito isto, você poderá estimar o custo do produto por unidade, o que deve incluir tanto os custos diretos, de produção, vendas e prestação de serviços, como outras despesas operacionais que a empresa precisa incorrer para a venda do produto.
Formação de preço
Uma das tarefas mais difíceis ao elaborar uma projeção de resultado é a determinação do preço de venda dos produtos. De maneira geral, o preço de venda deve refletir três componentes distintos: o custo do produto, o custo de venda do produto e a margem de contribuição.
Margem de contribuição
Enquanto os dois primeiros componentes são facilmente determinados, a margem vai depender da presença da empresa no mercado, da competitividade do setor em que a empresa atua, da sensibilidade do mercado consumidor aos preços, e, porque não, dos objetivos da empresa. Afinal, se a intenção for ganhar rapidamente presença de mercado, pode optar pela redução da parcela referente à sua margem, para conseguir oferecer preços mais baixos do que a concorrência. Assim, o preço de venda de um determinado produto ou serviço pode variar significativamente, dependendo do objetivo da empresa, que pode ser de penetrar o mercado como um todo, atingir segmentos específicos do mercado, recuperar o caixa, maximizar lucro, promover uma determinada linha de produtos, ou, simplesmente, minimizar a influência da concorrência.
Estrutura de custos e formação de preços
Em algumas situações específicas, a empresa poderá determinar um preço que não cubra sequer a soma dos custos de produção e de venda do produto, porém, esse tipo de situação é insustentável no longo prazo. Afinal, nenhuma empresa consegue manter as portas abertas por muito tempo se vender seus produtos a um preço inferior ao que gasta para produzi-los e vendê-los. Com base nisso, fica fácil entender a importância da estrutura de custos da empresa no processo de determinação de preços de venda competitivos. Apesar disto, muitas empresas não apuram seus custos e despesas de maneira precisa e assim não conseguem separar os componentes do preço de venda (custo de produção, custo de venda e margem).
Investindo nos produtos que dão retorno
O grande problema, nesse caso, é que o empresário pode acabar praticando um preço de venda inferior à soma dos custos de produção e de venda do produto, de forma que a margem não é suficiente cobrir os custos fixos e garantir o retorno do investimento. Além disto, ao não conseguir identificar a margem de cada um dos seus produtos, a empresa terá dificuldade na alocação de recursos, podendo optar por um maior esforço de vendas em produtos de menor rentabilidade. O desconhecimento dos componentes do preço de venda de um produto ou serviço com certeza em algum momento irá prejudicar a rentabilidade da empresa, e até mesmo ameaçar a sua estabilidade financeira.
Importância do mercado na definição do preço
Não se pode esquecer que em uma economia de mercado quem define o preço é o próprio mercado. Portanto, se o preço de mercado para o produto ou serviço prestado pela sua empresa for menor do que a soma dos custos de produção e venda do mesmo, ou seja, a margem for negativa, está na hora de rever a estrutura de custos desse produto.                 Assim pode ser dito que a análise da formação de preço de venda permite, em última instância, que o empresário decida se vale ou não a pena persistir na manutenção de um determinado produto ou serviço.
Necessidades de capital
                Um erro bastante comum entre os empresários, no que se refere à projeção de resultados, é não projetar, ou subestimar, as necessidades de capital de giro. Muitas vezes incluem-se as necessidades de investimento em infraestrutura, como compra de máquinas e equipamentos, aumento ou renovação de instalações, etc., mas se esquece de verificar o impacto sobre o capital de giro da empresa. È indispensável avaliar o total de recursos necessários para financiar as atividades operacionais da empresa, o que inclui a compra de matéria-prima, ou mercadorias, o financiamento de clientes através de vendas a prazo, etc. Não se esqueça que o aumento ou redução do prazo de vendas, do prazo de pagamento dos fornecedores ou da rotação de estoques, tem implicações diretas no total de recursos necessários para garantir o funcionamento operacional da sua empresa.
Se após elaborar sua projeção de resultados, o empresário constatar que irá precisar de recursos adicionais, então muito provavelmente terá que recorrer a um empréstimo. Isto é particularmente verdade entre os micro e pequeno empresários, que, não contando com recursos próprios para investir na empresa, não têm outra alternativa a não ser levantar empréstimo para garantir o crescimento da empresa e, às vezes, investem todo capital próprio em investimentos e quando surge a necessidade de capital de giro recorrem a financiamentos que tem taxas de juros extremamente desfavoráveis e comprometem significativamente os resultados da empresa.
Boa projeção e bons lucros
Sivaldo Dal-Ry
Consultor Empresarial
43 9109-5345
Londrina - PR

A TIRANIA DOS IMPOSTOS


Ontem dia 21 de abril foi dedicado à memória de Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, Patrono Cívico e Herói nacional, o único dos líderes da Inconfidência Mineira a ter sua condenação à morte concretizada. Por sua atuação na revolta provocada pelo excesso de impostos cobrados pela Coroa Portuguesa é também denominado Patrono dos Contribuintes.
            Em 1700, Portugal impôs ao Brasil o “quinto”, correspondente à arrecadação de 1/5 de todo o ouro extraído. Entretanto, nos últimos 30 anos do século 18, com a decadência da mineração e a consequente diminuição do volume arrecadado, as autoridades portuguesas passaram a exigir o mínimo de 100 arrobas (1.470 kg) anuais de ouro, como quinto.
Mas a arrecadação média entre 1774 e 1788 fora pouco superior a 60 arrobas/ano. A coroa portuguesa exigiu a cobrança dos quintos em atraso, decretando a “derrama”, uma medida administrativa que permitia a cobrança forçada de impostos atrasados, mesmo que fosse preciso confiscar todo o dinheiro e bens do devedor. O total em “atraso” chegava a 596 arrobas.
O final desse episódio e suas consequências nós já conhecemos, mas, qual a sua relação com a situação atual?
            Para avaliarmos a semelhança analisemos a evolução da Carga Tributária - impostos e taxas arrecadados pelos Governos Federal, Estaduais e Municipais - em relação ao PIB - Produto Interno Bruto, ou a soma de tudo o que se produz no país.

1950 - 14%;              1960 - 17%;                1970 - 26%;             1980 - 24%;
1990 - 28%;              2002 - 31,8%;             2003 - 31,4.%;         2004 - 32,2%;
2005 - 33,3%;           2006 - 34,2%;             2007 - 36,1%           2011 - 36,6%.
Isso sem considerar que uma mudança na forma de cálculo efetuada em 2005 quando, mantida a metodologia anterior, o índice chegaria a 41% e os subsequentes também teriam significativo acréscimo.
Nosso país destaca-se em dois pontos antagônicos: Está entre os de maior Carga Tributária e, infelizmente, entre os que menos retorno concede aos cidadãos. As despesas de custeio da máquina pública vem crescendo na proporção de 6% ao ano enquanto que o PIB tem crescido em média 3%, ou seja, a cada ano que passa mais dispendioso está esse custeio.
Podemos ver pelo “Impostômetro” mantido pela Associação Comercial de São Paulo - www.impostometro.org.br, que estima em tempo real o quanto se paga de impostos no país. Embora o número seja elevadíssimo ainda é abstrato demais. Trilhões e bilhões de reais não significam nada na escala individual da vastíssima maioria dos cidadãos. Porém, ir ao supermercado, deixar lá R$ 50 e saber exatamente qual parte desses R$ 50 foi para o governo e qual parte foi para o dono do supermercado pode significar muito. Guardando notas fiscais, o cidadão poderia saber o quanto pagou de impostos num dado período e teria com o governo uma relação muito mais direta e significativa. Sabendo o quanto o governo custa para ele próprio, ele poderia inclusive formular suas opiniões políticas mais responsavelmente, sem supor que o governo é uma força mágica movida a “vontade política”.
Devemos nos conscientizar que, entre os direitos humanos, a liberdade econômica também é indispensável para a liberdade do indivíduo. Subjugação tributária é um ato contra o direito individual.
Aprendamos com a história: somente um povo que tenha também liberdade econômica é um povo livre.
 Sivaldo Dal-Ry
Consultor Empresarial
43 9109-5345
Londrina - PR